Estes dias eu terminei de ler o livro Infiel, da Ayaan Hirsi Ali. Fiquei fascinada pela história e a coragem desta mulher. Não apenas pela coragem de desafiar o Islã e romper com padrões rígidos familiares e da religião para buscar a felicidade mas também pela forma como ela conta a sua história nesta auto-biografia que me fez rir, chorar, refletir e agradecer.
Ayaan é uma somaliana que sofreu clitorectomia aos 5 anos de idade. Morou na Somália, Arábia Saudita, Quênia e Etiópia. Era quase que escravizada pela mãe e foi criada para ser submissa a vontade dos homens e servir sem reclamar. Teve uma rígida educação islâmica e participou de alguns movimentos religiosos mais radicais apesar de não se encontrar na religião. Foi prometida em casamento e obrigada a casar contra a sua vontade com um homem da mesma tribo que morava no Canadá. Ela aproveitou a viagem para a Alemanha, onde deveria aguardar pelo visto e fugiu para a Holanda onde pediu asilo, estudou, se formou e foi eleita deputada em 2003. Ela lutou contra a submissão da mulher ao islã e a violência contra as mulheres que eram assassinadas pelos próprios familiares em nome da honra. Fez um documentário chamado Submissão que criticava a posição da mulher no Islã, o que culminou no assassinato do diretor do filme. Ela foi jurada de morte e teve que passar vários meses fugindo e se escondendo com forte esquema de segurança até se mudar para os EUA,
Ela descreve muito detalhadamente a submissão da mulher no islã através da sua experiência de vida e da sua família, além da violência e da miséria da guerra civil na Somália. A cada trecho do livro eu agradecia pela minha vida aqui no Brasil, aspectos muito simples e rotineiros que não estamos acostumados a valorizar.
Agradeci por viver em um país que apesar de imenso possui um povo que se identifica como um só, é o povo Brasileiro (com exceção dos gaúchos...heheh!) e por isso não temos guerras e ações separatistas, convivemos bem com diversas culturas e diversas religiões.
Agradeci porque não passamos fome e privações e estamos presenciando a expansão da classe C e a redução do % de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza.
Eu agradeci por ter nascido aqui, onde eu sempre tive liberdade para fazer as minhas escolhas: a minha religião, os meus amigos, a minha faculdade, profissão, os meus namorados. Onde eu pude morar junto sem casar, depois eu pude decidir me separar e tenho liberdade para casar de novo se eu quiser. Onde eu posso sair sozinha na rua sem a autorização ou companhia de um homem, onde eu posso sair de camiseta e short com braços e pernas a mostra ( com bom senso) sem ser acusada de desestabilizar os homens e atrair o pecado.
Agradeci pela criação dos meus pais que me deram amor, educação e liberdade para fazer as minhas escolhas, que me chamaram a atenção quando era devido mas nunca me bateram, que vibraram com o meu sucesso e me deram o ombro quando eu precisei chorar.
Obrigada! Obrigada!Obrigada!





